quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Emmanuel & André Luiz



Escola

"A terra que te acolhe é uma escola de Deus. O grupo em que nasceste é o núcleo de lições. O parente difícil é matéria de ensino. Desgostos são problemas e as provações são aulas. As mudanças e as crises saõ épocas de exame. Ama, trabalha, serve e aprenderás com Deus."

(Emmanuel-André Luiz)

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Deus nos concede

"Deus nos concede,a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela corre por nossa conta."

(Emmanuel)

Agradeço (Chico Xavier)


"Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito."

(Chico Xavier)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Planos


Algumas vezes os melhores planos resultam em... nada.

Algumas vezes a maior confiança em objetivos resulta em... nada.

Algumas vezes as mais incríveis oportunidades resultam em... nada.

Algumas vezes os mais profundos desejos resultam em... nada.

Planos, confiança, oportunidades e desejos ou qualquer outro predicado que você tenha, não são suficientes para empurrar uma bolinha de gude - aquelas pequenas esferas de vidro já esquecidas em algumas regiões do Brasil. A despeito de todo o seu conhecimento em estratégia e tática, a despeito de toda a sua confiança em si mesmo ou em todos os seres do Olimpo, a despeito de tudo aquilo que a vida ofereça e a despeito de todo o desejo racional, emocional e instintivo do seu corpo, nada vai acontecer se você não fizer uma coisa - uma única coisa simples: agir.

Agir - agir sempre - e dar o primeiro passo da jornada é o que garante que as engrenagens do Universo sejam postas para funcionar. Mesmo uma ação pequena tem efeitos devastadores ao longo do tempo. Nada acontece antes de uma ação ser posta para funcionar. Na Bíblia, o livro mais vendido do planeta, a primeira frase é: No princípio criou Deus os céus e a terra. A frase não fala que no princípio Deus refletiu, ou teve autoconfiança, ou viu uma oportunidade, ou estabeleceu um objetivo, ou esperou a sorte, ou contou com sua equipe de trabalho. Nada disso. A frase usada tinha o verbo criar.

Tudo começa com a ação. Naturalmente, isso não significa que você deva agir cegamente; significa que você deve agir na hora de agir. Muitos de nós construímos castelos perfeitos em nossas mentes, mas não agimos para levantar uma pedra sequer. Imaginamos tudo o que poderíamos fazer, mas não fazemos coisa alguma, sempre buscando ótimas razões para tudo aquilo que não fazemos. Queremos melhorar nossas relações, desde que a outra pessoa mude, deixando a ação para ela. Objetivamos tornar a qualidade de nossos produtos superior, desde que os funcionários façam um trabalho melhor, deixando a ação para eles. Pensamos em melhorar nosso trabalho, desde que a empresa nos pague mais, deixando a ação para a corporação. Sonhamos com nossa próxima casa, que será construída no futuro, desde que aquele bilhete de loteria seja premiado, deixando a ação para a sorte.

Embora todas essas coisas possam acontecer, provocar mudanças positivas em nossa vida não é problema de outros. É problema nosso. Lembre-se de que as palavras "desde que" não estão marcadas no calendário. Sua vida está. Faça o que você puder agora, com aquilo que você já tem. Mesmo que pareça ser muito pouco. Mesmo que seja somente um gesto, uma palavra, um olhar. Nenhuma ação é pequena demais, desde que seja uma ação. Se existe somente barro, use-o para construir tijolos e os tijolos para construir as paredes do seu sonho. Se nem mesmo barro você tem, use sapé. Mas faça alguma coisa.

Hoje é o dia para você pegar seus melhores ou piores planos, seus prováveis e improváveis projetos e dar um passo, fazendo aquela ligação, visitando aquele cliente, redesenhando seu produto ou empresa, enviando aquele e-mail, dando aquele sorriso e aquele abraço, andando pelo chão-de-fábrica, assistindo uma palestra, indo ao parque com seu filho, enviando um cartão pelo correio (sim, eu disse correio, não pela internet) ou até conversando com você, no espelho de casa. Nada acontece somente por estar em sua mente. Preencha seus dias com ação que leve o Universo a devolver algum tipo de reação, e certos resultados, talvez até mesmo inesperados, sempre virão.

As suas ações são os melhores intérpretes de seus pensamentos, como disse John Locke. Esta é, realmente, a única diferença entre quem faz e quem somente observa, quem vive e quem gostaria de viver. Madre Teresa de Calcutá não passou 50 anos planejando como ajudar as pessoas pobres. Ela simplesmente ajudava, e o resto aconteceu normalmente. Portanto, faça algo agora.

Autor: Aldo Novak

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A doença não é uma causa


A doença não é uma causa, é uma conseqüência proveniente das energias negativas que circulam por nossos organismos espiritual e material. O controle das energias é feito através dos pensamentos e dos sentimentos, portanto, possuimos energias que nos causam doenças porque somos indisciplinados mental e emocionalmente. Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz explica que “assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual absorve elementos que lhe degradam, com reflexos sobre as células materiais”.

Permanentemente, recebemos energia vital que vem do cosmo, da alimentação, da respiração e da irradiação das outras pessoas e para elas imprimimos a energia gerada por nós mesmos. Assim, somos responsáveis por emitir boas ou más energias às outras pessoas. A energia que irradiamos aos outros estará impregnada com nossa carga energética, isto é, carregada das energias de nossos pensamentos e de nossos sentimentos, sendo necessário que vigiemos o que pensamos e sentimos.

Tipos de doenças

Podemos classificar as doenças em três tipos: físicas, espirituais e atraídas ou simbióticas. As doenças físicas são distúrbios provocados por algum acidente, excesso de esforço ou exagero alimentar, entre outros, que fazem um ou mais órgãos não funcionarem como deveriam, criando uma indisposição orgânica.

As doenças espirituais são aquelas provenientes de nossas vibrações. O acúmulo de energias nocivas em nosso perispírito gera a auto-intoxicação fluídica. Quando estas energias descem para o organismo físico, criam um campo energético propício para a instalação de doenças que afetam todos os órgãos vitais, como coração, fígado, pulmões, estômago etc., arrastando um corolário de sofrimentos.

As energias nocivas que provocam as doenças espirituais podem ser oriundas de reencarnações anteriores, que se mantêm no perispírito enfermo enquanto não são drenadas. Em cada reencarnação, já ao nascer ou até mesmo na vida intra-uterina, podemos trazer os efeitos das energias nocivas presentes em nosso perispírito, que se agravam à medida que acumulamos mais energia negativa na reencarnação atual. Enquanto persistirem as energias nocivas no perispírito, a cura não se completará.

Já as doenças atraídas ou simbióticas são aquelas que chegam por meio de uma sintonia com fluidos negativos. O que uma criatura colérica vibrando sempre maldades e pestilências pode atrair senão as mesmas coisas? Essa atração gera uma simbiose energética que, pela via fluídica, causa a percepção da doença que está afetando o organismo do espírito que está imantado energeticamente na pessoa, provocando a sensação de que a doença está nela, pois passa a sentir todos os sintomas que o espírito sente. Aí, a pessoa vai ao médico e ele nada encontra.

André Luiz afirma que “se a mente encarnada não conseguiu ainda disciplinar e dominar suas emoções e alimenta paixões (ódio, inveja, idéias de vingança), ela entrará em sintonia com os irmãos do plano espiritual, que emitirão fluidos maléficos para impregnar o perispírito do encarnado, intoxicando-o com essas emissões mentais e podendo levá-lo à doença”.

(Por Edvaldo Kulchesk, pesquisador espírita, colaborador da Revista Cristã de Espiritismo)

Criando a própria vida



"Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.
Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.
Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores.
Mantenha seus valores positivos, porque seus valores...
Tornam-se seu destino."

(Mahatma Gandhi)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Princípio do Vazio (Joseph Newton)


Você tem o hábito de juntar objetos inúteis no momento, acreditando que um dia (não sabe quando) poderá precisar deles? Você tem o hábito de juntar dinheiro só para não gastá-lo, pois no futuro poderá fazer falta? Você tem o hábito de guardar roupas, sapatos, móveis, utensílios domésticos e outros tipos de equipamentos que já não usa há um bom tempo?

E dentro de você? Você tem o hábito de guardar mágoas, ressentimentos, raivas e medos?

Não faça isso. É antiprosperidade. É preciso criar um espaço, um vazio, para que as coisas novas cheguem em sua vida. É preciso eliminar o que é inútil em você e na sua vida, para que a prosperidade venha. É a força desse vazio que absorverá e atrairá tudo o que você almeja. Enquanto você estiver material ou emocionalmente carregado de coisas velhas e inúteis, não haverá espaço aberto para novas oportunidades. Os bens precisam circular.

Limpe as gavetas, os guarda-roupas, o quartinho lá do fundo, a garagem. Dê o que você não usa mais. A atitude de guardar um monte de coisas inúteis amarra sua vida. Não são os objetos guardados que emperram sua vida, mas o significado da atitude de guardar.

Quando se guarda, considera-se a possibilidade da falta, da carência. É acreditar que amanhã poderá faltar, e você não terá meios de prover suas necessidades. Com essa postura, você está enviando duas mensagens para o seu cérebro e para a vida: primeira: você não confia no amanhã e, Segunda: você acredita que o novo e o melhor não são para você, já que se contenta em guardar coisas velhas e inúteis.

Desfaça-se do que perdeu a cor e o brilho. E deixe entrar o novo em sua casa e dentro de você!

(Joseph Newton)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Perfeição de Deus


No Brooklyn, Nova Iorque, Chush é uma escola que se dedica ao ensino de crianças especiais. Algumas crianças ali permanecem por toda a vida escolar, enquanto outras podem ser encaminhadas para uma escola comum..

Num jantar beneficente de Chush, o pai de uma criança fez um discurso que nunca mais seria esquecido pelos que ali estavam presentes.

Depois de elogiar a escola e seu dedicado pessoal, perguntou:

- Onde está a perfeição no meu filho Pedro, se tudo o que DEUS faz é feito com perfeição? Meu filho não pode entender as coisas como outras crianças entendem. Meu filho não se pode lembrar de fatos e números como as outras crianças. Então, onde está a perfeição de Deus? '

Todos ficaram chocados com a pergunta e com o sofrimento daquele pai, mas ele continuou:
- Acredito que quando Deus traz uma criança especial ao mundo, a perfeição que Ele busca está no modo como as pessoas reagem diante desta criança.

Então ele contou a seguinte história sobre o seu filho Pedro:

- Uma tarde, Pedro e eu caminhávamos pelo parque onde alguns meninos que o conheciam, estavam jogando beisebol. Pedro perguntou-me:

- Pai, você acha que eles me deixariam jogar?

Eu sabia das limitações do meu filho e que a maioria dos meninos não o queria na equipe. Mas entendi que se Pedro pudesse jogar com eles, isto lhe daria uma confortável sensação de participação. Aproximei-me de um dos meninos no campo e perguntei-lhe se Pedro poderia jogar. O menino deu uma olhada ao redor, buscando a aprovação de seus companheiros de equipe e mesmo não conseguindo nenhuma aprovação, ele assumiu a responsabilidade e disse:

- Nós estamos perdendo por seis rodadas e o jogo está na oitava. Acho que ele pode entrar na nossa equipe e tentaremos colocá-lo para bater até a nona rodada.

Fiquei admirado quando Pedro abriu um grande sorriso ao ouvir a resposta do menino. Pediram então que ele calçasse a luva e fosse para o campo jogar.

No final da oitava rodada, a equipe de Pedro marcou alguns pontos, mas ainda estava perdendo por três. No final da nona rodada, a equipe de Pedro marcou novamente e agora com dois fora e as bases com potencial para a rodada decisiva, Pedro foi escalado para continuar. Uma questão, porém, veio à minha mente: a equipe deixaria Pedro, de fato, rebater nesta circunstância e deixar fora à possibilidade de ganhar o jogo? Surpreendentemente, foi dado o bastão a Pedro. Todo o mundo sabia que isto seria quase impossível, porque ele nem mesmo sabia segurar o bastão. Porém, quando Pedro tomou posição, o lançador se moveu alguns passos para arremessar a bola de maneira que Pedro pudesse ao menos rebater. Foi feito o primeiro arremesso e Pedro balançou desajeitadamente e perdeu. Um dos companheiros da equipe de Pedro foi até ele e juntos seguraram o bastão e encararam o lançador.

O lançador deu novamente alguns passos para lançar a bola suavemente para Pedro. Quando veio o lance, Pedro e o seu companheiro da equipe balançaram o bastão e juntos rebateram a lenta bola do lançador. O lançador apanhou a suave bola e poderia tê-la lançado facilmente ao primeiro homem da base, Pedro estaria fora e isso teria terminado o jogo. Ao invés disso, o lançador pegou a bola e lançou-a numa curva, longa e alta para o campo, distante do alcance do primeiro homem da base.

Então todo o mundo começou a gritar: Pedro corre para a primeira base, corre para a primeira. Nunca na sua vida ele tinha corrido... mas saiu disparado para a linha de base, com os olhos arregalados e assustado. Até que ele alcançasse a primeira base, o jogador da direita teve a posse da bola. Ele poderia ter lançado a bola ao segundo homem da base, o que colocaria Pedro fora de jogo, pois ele ainda estava correndo. Mas o jogador entendeu quais eram as intenções do lançador, assim, lançou a bola alta e distante, acima da cabeça do terceiro homem da base. Todo o mundo gritou:

- Corre para a segunda, Pedro, corre para a segunda base. Pedro correu para a segunda base, enquanto os jogadores à frente dele circulavam deliberadamente para a base principal. Quando Pedro alcançou a segunda base, a curta parada adversária colocou-o na direção de terceira base e todos gritaram:

- Corre para a terceira.

Ambas as equipes correram atrás dele gritando:

- Pedro, corre para a base principal.

Pedro correu para a base principal, pisou nela e todos os 18 meninos o ergueram nos ombros fazendo dele o herói, como se ele tivesse vencido o campeonato e ganho o jogo para a equipe dele.

- Naquele dia, disse o pai, com lágrimas caindo sobre face, aqueles 18 meninos alcançaram a Perfeição de Deus. Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo no rosto do meu filho!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Proteja os animais



WSPA Brasil - http://www.wspabrasil.org/

União Internacional Protetora dos Animais: http://www.uipa.org.br/portal/

SUIPA - Sociedade União Internacional Protetora dos Animais: http://www.suipa.org.br

Associação Brasileira Protetora dos Animais - ABPA-BA
: http://www.abpabahia.org.br/

Terra Verde Viva: http://www.terraverdeviva.org.br/

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Conclusão - O Livro dos Espíritos (Allan Kardec)


CONCLUSÃO 1

Aquele que do magnetismo terrestre conhece apenas o brinquedo dos patinhos imantados, que se movimentam numa bacia com água sob a ação do ímã, dificilmente poderá compreender que ali está o segredo do mecanismo do universo e dos movimentos dos planetas.

O mesmo acontece com quem conhece do Espiritismo somente o fenômeno das mesas girantes1; vê apenas um divertimento, um passatempo da sociedade, e não compreende que esse fenômeno tão simples e comum, conhecido da Antiguidade e até mesmo dos povos semi-selvagens, possa ter alguma ligação com as questões da maior importância para a sociedade humana. Para o observador comum, de fato, que relação a simplicidade de uma mesa que se move pode ter com a moral e o futuro da humanidade? Mas aquele que ponderar há de se lembrar que da simples panela que ferve e ergue a tampa com a pressão do vapor, fato que também ocorre desde toda a Antiguidade, saiu o poderoso motor com que o homem transpõe o espaço e supera as distâncias. Pois bem! Vós, que não credes em nada fora do mundo material, sabei que da mesa que se move e provoca vossos sorrisos desdenhosos saiu uma ciência e a solução de problemas que nenhuma filosofia pudera ainda resolver. Apelo para todos os adversários de boa-fé e os desafio a dizer se se deram ao trabalho de estudar o que criticam; porque, em boa lógica, a crítica só tem valor quando o crítico conhece aquilo que critica. Zombar de uma coisa que não se conhece, que não se pesquisou com o critério do observador consciencioso, não é criticar, é dar prova de leviandade e dar uma pobre idéia de sua capacidade de julgamento. Certamente, se tivéssemos apresentado esta filosofia como obra de um cérebro humano, ela teria encontrado menos desprezo e receberia as honras do exame daqueles que pretendem dirigir a opinião pública; mas ela vem dos Espíritos! Que absurdo! É com muito custo que lhe dispensam um de seus olhares; julgam apenas pelo título, como o macaco da fábula julgou a noz pela casca. Ignorai, se quiserdes, sua origem: suponde que este livro seja obra de um homem e dizei, conscientemente, se, após uma leitura séria, encontrais nele motivo para zombaria.
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1 - Fenômeno das mesas girantes: na Introdução, capítulo 3, Allan Kardec se refere “à série progressiva dos fenômenos”, a história que acabaria por originar esta obra. Entre eles está a das mesas falantes ou girantes (N. E.).
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CONCLUSÃO 2

O Espiritismo é o antagonista mais terrível do materialismo! Não é de admirar que tenha os materialistas como adversários. Mas como o materialismo é uma doutrina que poucos se atrevem a confessar abertamente (prova de que não estão seguros de suas convicções e são dominados por essa insegurança), eles se defendem com o manto da razão e da ciência, e, o que é estranho, os mais descrentes até mesmo falam em nome da religião, que também não conhecem e não compreendem, como o Espiritismo. Seu ponto de ataque se concentra principalmente no maravilhoso e no sobrenatural, que não admitem. De acordo com eles, o Espiritismo, estando fundado no maravilhoso, não passa de uma suposição ridícula. Eles não pensam que ao condenar, sem restrição, o processo do maravilhoso e do sobrenatural, condenam a religião. De fato, a religião está fundada na revelação e nos milagres; portanto, o que é a revelação senão comunicações extra- humanas? Todos os autores sagrados, desde Moisés, falaram desses gêneros de comunicações. O que são os milagres senão fatos maravilhosos e sobrenaturais por excelência, uma vez que são, no sentido litúrgico2, uma anulação das leis da natureza? Portanto, ao rejeitar o maravilhoso e o sobrenatural, rejeitam as próprias bases de toda religião. Mas não é sob esse ponto de vista que devemos encarar a questão. O Espiritismo não tem de examinar se existem ou não milagres. Se Deus pôde, em certos casos, alterar as leis eternas que regem o universo, o Espiritismo deixa, em relação a isso, toda a liberdade de crença. Diz e prova que os fenômenos em que se apóia nada têm de sobrenatural, a não ser na aparência. Esses fenômenos não parecem naturais aos olhos de certas pessoas, porque estão fora do comum e diferentes dos fatos conhecidos. Mas não são mais sobrenaturais do que todos os fenômenos dos quais a ciência nos dá hoje a solução e que pareciam maravilhosos antes, em uma outra época. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são conseqüência de leis gerais. Revelam-nos um dos poderes da natureza, poder desconhecido, ou melhor, incompreendido até aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas. O Espiritismo se fundamenta menos no maravilhoso e no sobrenatural do que a própria religião; aqueles que o atacam sob esse aspecto é porque não o conhecem, e ainda que fossem os homens mais sábios, nós lhes diríamos: se a ciência, que vos ensinou tanta coisa, não ensinou que o domínio da natureza é infinito, sois apenas meio sábios.
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2 - Litúrgico: referente à liturgia, que é o culto público e oficial instituído por uma igreja; ritual (N. E.).
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CONCLUSÃO 3

Conforme dizeis, desejais curar o século dessa mania de credulidade que ameaça invadir o mundo. Gostaríeis que o mundo fosse dominado pela incredulidade que procurais propagar? Não é por causa da ausência de toda crença que se deve atribuir o relaxamento dos laços de família e a maior parte das desordens que minam a sociedade? Ao demonstrar a existência e a imortalidade da alma, o Espiritismo reaviva a fé no futuro, levanta os ânimos abatidos, faz suportar com resignação as contingências da vida. Ousaríeis chamar a isso um mal? Duas doutrinas se defrontam: uma que nega o futuro, a outra que o proclama e o prova; uma que nada explica, a outra que explica tudo e por isso mesmo se dirige à razão; uma é a confirmação do egoísmo, a outra dá uma base à justiça, à caridade e ao amor de seus semelhantes. A primeira mostra apenas o presente e aniquila toda esperança, a segunda consola e mostra o vasto campo do futuro; qual é a mais nociva?

Certas pessoas, dentre as mais descrentes, se fazem apóstolos da fraternidade e do progresso; mas a fraternidade pressupõe o desinteresse, a renúncia da personalidade. Portanto, para a verdadeira fraternidade o orgulho é uma aberração. Com que direito se impõe um sacrifício àquele a quem dizeis que quando morrer tudo estará acabado; que amanhã talvez não será nada mais do que uma velha máquina desmantelada e jogada fora? Que razão terá ele para si mesmo impor uma renúncia qualquer? Não é mais natural que durante os breves instantes que lhe concedeis ele trate de viver o melhor possível? Daí vem o desejo de possuir muito para melhor desfrutar. Desse desejo nasce a inveja contra os que possuem mais que ele; e dessa inveja para a vontade de se apossar do que é dos outros basta apenas um passo. O que o detém? A lei? Mas a lei não abrange todos os casos. Direis que é a consciência, o sentimento do dever? Mas sobre o que baseais o sentimento do dever? Restará a esse sentimento uma razão de ser se estiver ligado à crença de que tudo termina com a vida? Com essa crença apenas uma doutrina é racional: cada um por si. As idéias de fraternidade, consciência, dever, humanidade e até mesmo de progresso são apenas palavras vãs. Vós que proclamais semelhantes doutrinas não sabeis todo o mal que fazeis à sociedade, nem por quantos crimes assumis a responsabilidade! Mas o que falo sobre responsabilidade? Para o descrente isso não existe, ele presta homenagem apenas à matéria.

CONCLUSÃO 4

O progresso da humanidade tem seu princípio na aplicação da lei de justiça, amor e caridade. Essa lei está fundada na certeza do futuro; se lhe tirais essa certeza, tirais sua pedra fundamental. Dessa lei derivam todas as outras, porque ela encerra todas as condições da felicidade do homem. Apenas ela pode curar as chagas da sociedade, e o homem pode julgar, comparando as idades e os povos, quanto sua condição melhora à medida que essa lei é mais bem compreendida e praticada. Note-se que se sua aplicação parcial e incompleta produz um bem real, o que não acontecerá quando ela for a base de todas as suas instituições sociais! Isso é possível? Sim, porque se ele já deu dez passos pode dar vinte, e assim por diante. Pode-se, portanto, julgar o futuro pelo passado. Já vimos pouco a pouco se extinguirem as antipatias de povo a povo; as barreiras que os separam diminuem com a civilização; eles se dão as mãos de um extremo a outro do mundo; uma justiça maior regula as leis internacionais; as guerras tornam-se cada vez mais raras e não excluem os sentimentos humanitários; a uniformidade se estabelece nas relações; as discriminações de raças e de castas acabam, e os homens de crenças diferentes fazem calar os preconceitos de seitas para se confundirem na adoração de um único Deus. Falamos dos povos que marcham à frente da civilização. (Veja as questões 789 e 793.)

Apesar de todos esses aspectos, ainda estamos longe da perfeição, e ainda existem muitos resíduos antigos para ser destruídos até que tenham desaparecido os últimos vestígios da barbárie. Mas esses resíduos poderão continuar contra a força irresistível do progresso, essa força viva que é, ela mesma, uma lei da natureza? Se a presente geração é mais avançada do que a passada, por que a seguinte não será mais avançada do que a nossa? Ela o será pela força das coisas; inicialmente porque com as gerações se extinguem dia a dia alguns campeões dos velhos abusos, e assim a sociedade se forma pouco a pouco de elementos novos que se libertaram dos velhos preconceitos. Em segundo lugar, porque o homem, desejando o progresso, estuda os obstáculos e se aplica em removê-los. Uma vez que o movimento progressivo é evidente, o progresso futuro não pode ser posto em dúvida. O homem quer ser feliz, e é natural esse desejo; portanto, ele procura o progresso apenas para aumentar sua felicidade, sem o que o progresso não teria sentido, em nada o serviria, se não melhorasse sua posição. Mas, quando tiver desfrutado o máximo de todos os prazeres que o progresso intelectual pode proporcionar, perceberá que não tem a felicidade completa; reconhecerá que essa felicidade sem a segurança das relações sociais é irrealizável, é impossível. Essa segurança ele só encontrará no progresso moral. Então, pela força das coisas ele mesmo conduzirá o progresso nesse sentido, e o Espiritismo será a mais poderosa alavanca para atingir esse objetivo.

CONCLUSÃO 5

Os que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo proclamam, desse modo, a força do Espiritismo, porque uma idéia sem fundamento e destituída de lógica não poderia se tornar universal. Assim, se o Espiritismo se implanta por toda parte, se tem como seguidores principalmente pessoas esclarecidas, como se pode constatar, é que tem um fundo de verdade. Contra essa tendência, todos os esforços de seus detratores3 serão inúteis, e a prova é que até mesmo o ridículo com que procuram cobri-lo, longe de amortecer sua marcha, parece lhe ter dado uma nova vida. Esse resultado justifica plenamente o que dizem repetidas vezes os Espíritos: “Não vos inquieteis com a oposição; tudo o que se fizer contra se tornará a favor, e os maiores adversários servirão à causa sem querer. Contra a vontade de Deus a má vontade dos homens não prevalece”.

Com o Espiritismo, a humanidade deve entrar numa nova fase, a do progresso moral, que é sua conseqüência inevitável. Parai, portanto, de vos espantar com a rapidez com que se propagam as idéias espíritas; a causa disso está na satisfação que elas proporcionam a todos os que nelas se aprofundam e que nelas vêem algo mais do que um fútil passatempo; portanto, como o homem quer sua felicidade acima de tudo, não é de estranhar que se apegue a uma idéia que faz as pessoas felizes.

O desenvolvimento dessas idéias apresenta três períodos distintos: o primeiro é o da curiosidade provocada pela estranheza dos fenômenos que se produziram; o segundo, do raciocínio e da filosofia; o terceiro, da aplicação e das conseqüências. O período da curiosidade passou. A curiosidade dura pouco; uma vez satisfeita, esquece-se o objeto para passar a um outro. O mesmo não acontece com o que recorre ao raciocínio sério e ao julgamento.

O segundo período começou, e o terceiro se seguirá inevitavelmente. O Espiritismo progrediu especialmente depois de ter sido mais bem compreendido na sua essência, desde que perceberam seu alcance, porque ele toca no ponto mais sensível do homem: o de sua felicidade, até mesmo neste mundo; aí está a causa de sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Ele torna felizes aqueles que o compreendem, enquanto sua influência vai se ampliando sobre as massas. Até mesmo aquele que nunca testemunhou nenhum fenômeno das manifestações diz: “Além desses fenômenos, existe a filosofia; essa filosofia me explica o que NENHUMA outra havia me explicado; nela encontro, somente pelo raciocínio, uma demonstração racional dos problemas que interessam no mais alto grau ao meu futuro;
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3 - Detrator: aquele que deprecia ou difama o mérito ou a reputação de alguma coisa (N. E.).
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ele me proporciona a calma, a segurança, a confiança; livra-me do tormento da incerteza e, além disso, a questão dos fatos materiais passa a ser secundária”. Todos vós que atacais o Espiritismo quereis um meio de combatê-lo com sucesso? Aqui está. Trocai-o por algo melhor; indicai uma solução MAIS FILOSÓFICA a todas as questões que ele resolveu; dai ao homem uma OUTRA CERTEZA que o torne mais feliz e compreendei bem o alcance desta palavra certeza, já que o homem aceita como certo o que lhe parece lógico; não vos contenteis em dizer: “Isto não é assim”; é muito fácil fazer uma afirmativa dessas. Provai, não por uma negação, mas por meio de fatos, que isso não é real, nunca foi e NÃO PODE ser; se não é, dizei o que em seu lugar pode ser; provai, enfim, que as conseqüências do Espiritismo não tornam os homens melhores e, portanto, mais felizes, pela prática da mais pura moral evangélica, moral que muito é louvada, mas pouco praticada. Quando tiverdes feito isso, tereis o direito de o atacar. O Espiritismo é forte porque se apóia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, os sofrimentos e as recompensas futuras; principalmete porque mostra esses sofrimentos e recompensas como conseqüências naturais da vida terrestre, e que nada, no quadro que oferece do futuro, pode ser recusado pela razão mais exigente. Vós, cuja doutrina é a negação do futuro, que compensação ofereceis aos sofrimentos aqui da Terra? Vós vos apoiais na incredulidade, o Espiritismo se apóia na confiança em Deus; enquanto ele convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade, vós ofereceis o NADA por perspectiva e o EGOÍSMO por consolação. Ele explica tudo, vós não explicais nada; ele prova pelos fatos e vós não provais nada. Como quereis que as pessoas duvidem entre as duas doutrinas?

CONCLUSÃO 6

Seria fazer uma idéia muito falsa do Espiritismo acreditar que sua força vem das manifestações materiais e que, impedindo essas manifestações, pode-se miná-lo em sua base. Sua força está na filosofia, no apelo que faz à razão, ao bom senso. Na Antiguidade, era objeto de estudos misteriosos, cuidadosamente escondidos do povo. Hoje, não tem segredos para ninguém; fala uma linguagem clara, sem equívocos. Nele não há nada de místico, nada de alegorias passíveis de falsas interpretações; quer ser compreendido por todos, porque chegou o tempo de as pessoas conhecerem a verdade; longe de se opor à difusão da luz, ele a revela para todas as pessoas. Não exige uma crença cega, quer que se saiba por que se crê; ao se apoiar na razão, será sempre mais forte do que aqueles que se apóiam no nada. Os obstáculos que tentassem antepor à liberdade das manifestações poderiam lhe dar fim? Não, porque só produziriam o efeito de todas as perseguições: o de estimular a curiosidade e o desejo de conhecer o que é proibido. Por outro lado, se as manifestações espíritas fossem privilégio de um único homem, ninguém duvida que, pondo esse homem de lado, as manifestações acabariam. Infelizmente, para os adversários, elas estão ao alcance de todos, desde o simples até o sábio, desde o palácio até ao mais humilde casebre; qualquer um pode a elas recorrer. Pode-se proibir que sejam feitas em público; mas sabe-se precisamente que não é em público que elas se produzem melhor, e sim reservadamente. Portanto, como cada um pode ser médium, quem pode impedir uma família no seu lar, um indivíduo no silêncio de seu gabinete, o prisioneiro na cela, de ter comunicação com os Espíritos, apesar da proibição dos seus opositores e mesmo na presença deles?

Se as proíbem em um país poderão impedi-las nos países vizinhos, no mundo inteiro, uma vez que não há um país, em qualquer dos continentes, onde não haja médiuns? Para prender todos os médiuns seria preciso prender a metade da população humana; se até mesmo chegassem, o que não seria muito fácil, a queimar todos os livros espíritas, estariam reproduzidos no dia seguinte, porque sua fonte é inatacável, e não se podem prender nem queimar os Espíritos, que são seus verdadeiros autores.

O Espiritismo não é obra de um homem; ninguém se pode dizer seu criador, porque ele é tão antigo quanto a Criação; encontra-se por toda parte, em todas as religiões e na religião Católica ainda mais, e com mais autoridade do que em qualquer outra, porque nela se encontram os mesmos princípios: os Espíritos de todos os graus, suas relações ocultas e patentes com os homens, os anjos de guarda, a reencarnação, a emancipação da alma durante a vida, a dupla vista, as visões, as manifestações de todos os gêneros, as aparições e até mesmo as aparições tangíveis, isto é, as materializações. Com relação aos demônios, não passam de maus Espíritos e, salvo a crença de que foram destinados ao mal por toda a eternidade, enquanto o caminho do progresso está livre para os outros existe entre eles apenas a diferença de nome.

O que faz a ciência espírita moderna? Ela reúne num corpo de doutrina o que estava esparso; explica em termos próprios o que estava somente em linguagem alegórica; elimina o que a superstição e a ignorância produziram para deixar apenas a realidade e o positivo: eis seu papel; mas o de fundadora não lhe cabe. A Doutrina Espírita mostra o que é, coordena, mas não cria nada, por isso suas bases são de todos os tempos e de todos os lugares. Quem, pois, ousaria se acreditar forte o suficiente para abafá-la com sarcasmos e até mesmo com a perseguição? Se a proibirem num lugar, renasce em outros, no próprio terreno de onde a expulsaram, porque está na natureza e não é dado ao homem anular uma força da natureza nem opor seu veto aos decretos de Deus.

Afinal, que interesse haveria em entravar a propagação das idéias espíritas? Essas idéias, é bem verdade, se opõem aos abusos que nascem do orgulho e do egoísmo. Porém, esses abusos de que alguns se aproveitam prejudicam a coletividade humana que, portanto, será favorável às idéias espíritas, que terão como adversários sérios apenas aqueles que são interessados em manter esses abusos. Por sua influência, ao contrário, essas idéias, tornando os homens melhores uns para com os outros, menos ávidos dos interesses materiais e mais resignados aos decretos da Providência, são uma certeza de ordem e de tranqüilidade.

CONCLUSÃO 7

O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: as manifestações, os princípios de filosofia e de moral que delas decorrem e a aplicação desses princípios; daí, três classes, ou três graus, entre os espíritas:

1ª) aqueles que acreditam nas manifestações e se limitam em constatá-las: para eles, o Espiritismo é uma ciência experimental;
2ª) aqueles que compreendem suas conseqüências morais;
3ª) aqueles que praticam ou se esforçam para praticar essa moral.

Seja qual for o ponto de vista, científico ou moral, sob o qual se considerem esses fenômenos, cada um deles significa que é uma ordem totalmente nova de idéias que surge, cujas conseqüências resultarão numa profunda modificação na humanidade, e também compreende que essa modificação pode apenas acontecer no sentido do bem.

Quanto aos adversários, pode-se também classificá-los em três categorias: 1ª) aqueles que negam sistematicamente tudo o que é novo ou que não vem deles e que falam disso sem conhecimento de causa. A essa classe pertencem os que não admitem nada fora da evidência dos sentidos; não viram nada, nada querem ver e ainda menos se aprofundar. Ficariam até mesmo aborrecidos se vissem as coisas muito claramente, com medo de serem forçados a admitir que não têm razão. Para eles, o Espiritismo é uma fantasia, uma loucura, uma utopia; ele não existe: está dito tudo. São os incrédulos de propósito. Ao lado deles, pode-se colocar aqueles que não se dignam em dar aos fatos a mínima atenção, nem por desencargo de consciência, e poderem dizer: quis ver e nada vi. Não compreendem que seja preciso mais de meia hora para se dar conta de toda uma ciência. 2ª) Aqueles que, sabendo muito bem o que pensar da realidade dos fatos, os combatem, todavia, por motivos de interesse pessoal. Para eles, o Espiritismo existe, mas têm medo de suas conseqüências; atacam- no como a um inimigo. 3ª) aqueles que encontram na moral espírita uma censura muito severa aos seus atos e às suas tendências. O Espiritismo, levado a sério, os incomodaria; eles nem o rejeitam nem o aprovam: preferem fechar os olhos. Os primeiros são dominados pelo orgulho e pela presunção; os segundos, pela ambição; os terceiros, pelo egoísmo. Compreende-se que essas causas de oposição, não tendo nada de sólido, devem desaparecer com o tempo, porque procuraríamos em vão uma quarta classe de antagonistas, opositores que se apoiassem em provas contrárias, concretas, e apresentassem um estudo contestador mas bem claro da questão. Todos apenas opõem a negação, nenhum oferece demonstração séria e irrefutável.

Seria esperar demais da natureza humana acreditar que ela possa se transformar subitamente pelas idéias espíritas. A ação da idéia espírita não é claramente nem a mesma, nem no mesmo grau em todos aqueles que as professam. Mas, seja qual for o resultado, por pequeno que seja, é sempre um melhoramento, bastará apenas provar a existência de um mundo extracorpóreo, o que implica a negação das doutrinas materialistas. Isso é a própria conseqüência da observação dos fatos. Porém, para os que compreendem o Espiritismo filosófico e nele vêem além dos fenômenos mais ou menos curiosos, os efeitos são outros. O primeiro, e mais geral, é de desenvolver o sentimento religioso até mesmo naquele que, sem ser materialista, sente apenas indiferença pelas coisas espirituais. Disso resultará para ele a serenidade perante a morte; porém, em vez de desprezar ou desejar a morte, o espírita defenderá sua vida como outro qualquer, mas tranqüilamente aceita, sem lamentos, uma morte inevitável como uma coisa mais feliz do que temível, pela certeza que tem do que lhe acontecerá. O segundo efeito, quase tão geral quanto o primeiro, é a resignação nas alternâncias da vida. O Espiritismo faz ver as coisas de tão alto que a vida terrestre passa a ter a sua verdadeira importância e o homem não se aflige tanto com os tormentos que o acompanham: daí, quanto mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos; daí também o afastamento do pensamento de abreviar seus dias, porque a ciência espírita ensina que, pelo suicídio, perde-se sempre o que se queria ganhar. A certeza de um futuro que depende de nós mesmos tornar feliz, a possibilidade de estabelecer relações com seres que nos são queridos oferecem ao espírita uma consolação suprema. Seu horizonte se amplia até ao infinito pelo espetáculo incessante que tem da vida além da morte, da qual pode sondar os mistérios profundos. O terceiro efeito é estimular no homem o perdão e a tolerância para com os defeitos dos outros. Mas é preciso ficar claro que o princípio egoísta e tudo que dele decorre são o que existe de mais obstinado no homem e, conseqüentemente, o mais difícil de arrancar pela raiz. Fazemos sacrifícios voluntariamente, contanto que nada custem e de nada nos privem. O dinheiro ainda é, para o maior número de pessoas, um atrativo irresistível, e bem poucos compreendem a palavra supérfluo, quando se trata de sua pessoa. Assim a renúncia da personalidade é sinal do mais eminente progresso.

CONCLUSÃO 8

Os Espíritos, perguntam certas pessoas, nos ensinam uma moral nova, superior à que ensinou o Cristo? Se essa moral é a do Evangelho, para que serve o Espiritismo? Esse raciocínio assemelha-se ao do califa Omar, referindo-se à biblioteca de Alexandria: “Se ela contém, dizia ele, apenas o que existe no Alcorão, é inútil; portanto, deve ser queimada. Se contém outra coisa, é má; portanto, ainda é preciso queimá-la”. Não, o Espiritismo não ensina uma moral diferente da de

Jesus; mas perguntaremos: Antes de Cristo os homens não tinham a lei dada por Deus a Moisés? Sua doutrina não se encontra no Decálogo? Por isso, se dirá que a moral de Jesus era inútil? Perguntaremos ainda àqueles que negam a utilidade da moral espírita: por que a do Cristo é tão pouco praticada e porque os que lhe proclamam com justiça a sublimidade são os primeiros a violar a primeira de suas leis: a caridade universal ? Os Espíritos vêm não apenas confirmá-la, mas mostram sua utilidade prática; tornam inteligíveis e claras verdades que tinham sido ensinadas apenas sob forma alegórica; e, ao lado da moral, vêm definir os problemas mais profundos da psicologia. Jesus veio mostrar aos homens o caminho do verdadeiro bem; porque Deus, que o enviou para fazer lembrar sua lei desprezada, não enviaria hoje Espíritos para lhes lembrar de novo e com mais precisão, quando a esquecem para tudo sacrificar ao orgulho e à cobiça? Quem ousaria impor limites ao poder de Deus e Lhe traçar normas? Quem nos diz que, como afirmam os Espíritos, não são chegados os tempos preditos e que não chegamos ao tempo em que as verdades mal compreendidas ou falsamente interpretadas devam ser abertamente reveladas à humanidade para apressar seu adiantamento? Não há algo de providencial nessas manifestações que se produzem simultaneamente em todos os pontos do globo? Não é apenas um único homem, ou um profeta, que vem nos advertir. A luz surge de todas as partes. É um mundo totalmente novo que se desdobra aos nossos olhos. Assim como a invenção do microscópio nos mostrou o mundo dos infinitamente pequenos que desconhecíamos que existissem e o telescópio nos mostrou milhares de sóis e planetas que também desconhecíamos, as comunicações espíritas revelam o mundo invisível que nos cerca, cujos habitantes se acotovelam conosco constantemente e, contra nossa vontade, tomam parte em tudo que fazemos. Mais algum tempo e a existência desse mundo, que nos espera, também será tão incontestável quanto o mundo microscópico e dos sóis e planetas que giram no espaço. De nada, então, nos valerá nos terem feito conhecer todo um mundo? De nos ter iniciado nos mistérios da vida além-morte? É verdade que essas descobertas, se assim podemos chamar, contrariam de certo modo certas idéias pré-estabelecidas. Mas todas as grandes descobertas científicas não modificaram igualmente, e até mesmo derrubaram, as idéias de maior crédito? E não foi preciso que nosso amor-próprio se curvasse diante da evidência?

O mesmo acontecerá com relação ao Espiritismo e, em pouco tempo, ele terá o direito de ser citado entre os conhecimentos humanos.

As comunicações com os seres desencarnados deram por resultado nos fazer compreender a vida futura, fazendo com que a vejamos, nos preparando para os sofrimentos e prazeres que nos esperam segundo nossos méritos e por isso mesmo encaminhar para o espiritualismo aqueles que viam nos homens apenas a matéria, a máquina organizada. Também tivemos razão em dizer que o Espiritismo matou o materialismo pelos fatos. Se tivesse produzido apenas esse resultado, já bastante gratidão lhe deveria a sociedade; porém, faz mais: mostra os inevitáveis efeitos do mal e, conseqüentemente, a necessidade do bem. O número daqueles a quem proporcionou sentimentos melhores, neutralizou as más tendências e desviou do mal é maior do que se pode pensar e aumenta todos os dias. É que para estes o futuro deixou de ser uma coisa imprecisa, vaga; não é mais uma simples esperança, é uma verdade que se compreende, que se explica, quando se vêem e ouvem aqueles que vêm até nós se lamentar ou se felicitar pelo que fizeram na Terra. Todo aquele que é testemunha disso se põe a refletir e sente a necessidade de se conhecer, de se julgar e de se modificar.

CONCLUSÃO 9

Os adversários do Espiritismo não se esqueceram de se armar contra ele com algumas divergências de opiniões sobre certos pontos da Doutrina. Não deveria causar estranheza nem é de admirar que, no início de uma ciência, quando as observações ainda são incompletas e cada um a considera sob seu ponto de vista, sistemas contraditórios tenham oportunidade de aparecer. Mas, hoje, a grande maioria desses sistemas já caiu diante de um estudo mais aprofundado, a começar pelo que atribuía todas as comunicações ao Espírito do mal, como se fosse impossível a Deus enviar aos homens bons Espíritos; doutrina absurda, pois é desmentida pelos fatos; incrédula, porque é a negação do poder e da bondade do Criador. Os Espíritos sempre nos aconselharam a não nos inquietarmos com essas divergências e que a unidade se daria. A unidade já está firmada na maioria dos pontos, e as divergências tendem cada dia a desaparecer. Com relação a essa questão perguntou-se aos Espíritos: enquanto se aguarda a união, sobre o que pode o homem imparcial e desinteressado basear- se para formar um julgamento? Eis a resposta:

“A luz mais pura não é obscurecida por nenhuma nuvem; o diamante puro tem mais valor; julgai, portanto, os Espíritos, de acordo com a pureza de seus ensinamentos. Não esqueçais que entre os Espíritos existem aqueles que ainda não se livraram das idéias da vida terrestre; sabei distingui-los por sua linguagem; julgai-os pelo conjunto do que dizem; vede se existe encadeamento lógico em suas idéias; se nelas nada revela ignorância, orgulho ou malevolência; em resumo, se suas palavras trazem sempre o cunho da sabedoria que manifesta a verdadeira superioridade. Se vosso mundo fosse inacessível ao erro, seria perfeito, e ele está longe disso. Ainda estais nele para aprender a distinguir o erro da verdade; faltam as lições da experiência para exercer vosso julgamento e vos fazer avançar. A unidade se produzirá do lado em que o bem nunca foi misturado com o mal; é desse lado que os homens se unirão pela força das coisas, porque reconhecerão que aí está a verdade.

Que importam, aliás, algumas divergências que estão mais na forma do que no fundo! Notai que os princípios fundamentais são por toda parte os mesmos e devem vos unir por um pensamento comum: o amor de Deus e a prática do bem. Seja qual for, assim, o modo de progresso que se supõe ou as condições normais de existência futura, o objetivo final é o mesmo: fazer o bem; portanto, não existem duas maneiras de fazê-lo.

Se, entre os adeptos do Espiritismo, existem aqueles que diferem de opinião sobre alguns pontos da teoria, todos concordam sobre os pontos fundamentais. Há, portanto, unidade, exceto da parte dos que, em número muito reduzido, não admitem ainda a intervenção dos Espíritos nas manifestações e as atribuem ou a causas puramente físicas, o que é contrário a esta máxima: “Todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente”, ou a um reflexo do próprio pensamento4 dos homens, o que é desmentido pelos fatos. Os outros pontos são apenas secundários e não comprometem em nada as bases fundamentais. Pode, portanto, haver escolas que procuram se esclarecer sobre as partes ainda controvertidas da ciência, mas não devem ser rivais entre si. A contradição apenas deve existir entre aqueles que querem o bem e aqueles que fariam ou desejariam o mal. Ora, não existe um espírita sincero e compenetrado nos grandes ensinamentos morais ensinados pelos Espíritos que possa querer o mal nem desejar o mal
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4 - No item 16 da Introdução, Kardec faz uma reflexão e um estudo sobre a questão (N. E.).
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de seu próximo sem distinção de opinião. Se uma dessas escolas está no erro, a luz, cedo ou tarde, se fará para ela, desde que haja boa-fé e ausência de prevenção. Enquanto isso, todas têm um laço comum que deve uni-las em um mesmo pensamento; todas têm um mesmo objetivo. Pouco importa o caminho, uma vez que conduza a essa meta. Nenhuma deve se impor pelo constrangimento material ou moral, e estaria no caminho falso apenas aquela que condenasse ou reprovasse a outra, porque agiria evidentemente sob a influência de maus Espíritos. A razão deve ser o supremo argumento e a moderação assegurará melhor o triunfo da verdade do que as críticas envenenadas pela inveja e pelo ciúme. Os bons Espíritos ensinam apenas a união e o amor ao próximo. Nunca um pensamento mau ou contrário à caridade pode provir de uma fonte pura. Estudemos sobre este assunto e, para terminar, os conselhos do Espírito de Santo Agostinho:

“Por muito tempo, os homens se estraçalharam e se amaldiçoaram em nome de um Deus de paz e de misericórdia, ofendendo-o com semelhante sacrilégio. O Espiritismo é o laço que os unirá um dia, porque mostrará onde está a verdade e onde está o erro. Mas haverá ainda por muito tempo escribas e fariseus5 que o negarão, como negaram o Cristo. Quereis saber sob a influência de que Espíritos estão as diversas seitas que dividiram entre si o mundo? Julgai-as por suas obras e princípios. Nunca os bons Espíritos foram os instigadores do mal; nunca aconselharam nem legitimaram o assassinato e a violência; nunca excitaram os ódios dos partidos, nem a sede das riquezas e das honras, nem a avidez dos bens da Terra. Somente aqueles que são bons, humanos e benevolentes para com todos são seus preferidos e são também os preferidos de Jesus, porque seguem o caminho indicado para chegar até ele.”

Santo Agostinho

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5 - Escribas e fariseus: figuras do Evangelho. Neste caso, gente falsa, fingida, pérfida, traiçoeira (N. E.).
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domingo, 16 de novembro de 2008

Morangos (Roberto Shinyashiki)


Talvez, ao me ouvir falar em felicidade, você se pergunte se eu não tenho problemas, se tudo dá sempre certo para mim, se nunca passei por uma grande dificuldade que me tenha deixado marcas, como ocorre com a maioria das pessoas. É claro que sim, sou como todo mundo.

Tenho angústias, fico estressado, as pessoas às vezes me traem, mas eu procuro comer os morangos da vida.

Um sujeito estava caindo em um barranco e se agarrou às raízes de uma árvore. Em cima do barranco havia um urso imenso querendo devorá-lo. O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo prato que tinha à sua frente. Embaixo, prontas para engoli-lo, quando caísse, estavam nada mais nada menos do que seis onças tremendamente famintas. Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando. Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas do seu pé. As onças em baixo querendo comê-lo e o urso em cima querendo devorá-lo. Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas escamas douradas refletindo o sol. Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita, e, com a esquerda, pegou o morango. Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado com sua beleza. Então, levou o morango à boca e se deliciou com o sabor doce e suculento. Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso.

Deu para entender?

Talvez você me pergunte: "Mas, e o urso?" Dane-se o urso e coma o morango! E as onças?

Azar das onças, coma o morango! Se ele não desistir, a onça ou o urso desistirão....

Às vezes, você está em sua casa no final de semana, com seus filhos e amigos, comendo um churrasco. Percebendo seu mau humor, sua esposa lhe diz: "Meu bem, relaxe e aproveite o Domingo!". E você, chateado, responde: "Como posso curtir o Domingo se amanhã vai ter um monte de ursos querendo me pegar na empresa?"

Relaxe e viva um dia por vez: coma o morango.

Problemas acontecem na vida de todos nós, até o último suspiro. Sempre existirão ursos querendo comer nossas cabeças e onças a arrancar nossos pés. Isso faz parte da vida e é importante que saibamos viver dentro desse cenário. Mas nós precisamos saber comer os morangos, sempre. A gente não pode deixar de comê-los só porque existem ursos e onças.

Você pode argumentar: "Eu tenho muitos problemas para resolver." Problemas não impedem ninguém de ser feliz. O fato de ter que conviver com chatos não é motivo para você deixar de gostar de seu trabalho.

Coma o morango, não deixe que ele escape.

Poderá não haver outra oportunidade de experimentar algo tão saboroso. Saboreie os bons momentos. Sempre existirão ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida.

Mas o importante é saber aproveitar o morango. Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois. O melhor momento para ser feliz é agora. O futuro é uma ilusão que sempre será diferente do que imaginamos.

As pessoas vêem o sucesso como uma miragem. Como aquela história da cenoura pendurada na frente do burro que nunca a alcança. As pessoas visualizam metas e, quando as realizam, descobrem que elas não trouxeram felicidade. Então, continuam avançando e inventam outras metas que também não as tornam felizes. Vivem esperando o dia em que alcançarão algo que as deixará felizes. Elas esquecem que a felicidade é construída todos os dias.

Lembre-se: a felicidade não é algo que você vai conquistar fora de você...

Então, coma os morangos e seja feliz...

(Roberto Shinyashiki)

domingo, 2 de novembro de 2008

Maravilhoso Pai Nosso


PAI NOSSO que estais no céu na terra, em todos os mundos espirituais, santificado e bendito seja sempre o vosso nome, mesmo quando a dor e a desilusão ferirem nosso coração. Bendito sejas, o pão nosso de cada dia,dai-nos hoje.

Pai: Dai-nos o pão que revigora as forças físicas mas dai-nos também o pão para o espírito. Perdoai as nossas dívidas, mas ensinai-nos antes a merecer o vosso perdão. Perdoando aqueles que tripudiam nossas dores, espesinham nossos corações e destroem nossas ilusões. Que possamos perdoá-los não com os lábios e sim com o coração.

Afastai de nosso caminho todo sentimento contrário à caridade. Que este PAI NOSSO seja dadivoso para todos aqueles que sofrem com como espíritos encarnados ou desencarnados. Que uma partícula desse PAI NOSSO vá até os cárceres,onde alguns sofrem merecidamente,mas outros, pelo erro judiciário,que vá até os hospícios iluminando esses cérebros conturbados. Que vá àos hospitais,onde muitos choram e sofrem sem o consolo da palavra amiga. Que estes que neste momento transpõe o pórtico da vida terrena para a espiritual, tenham um guia e vosso perdão.Que esse PAI NOSSO vá até os prostibulos e erga essas pobres infelizes que ali foram tangidas pela fome,dando-lhes apoio e a fé. Que vá até o seio da terra, onde o mineiro está exposto ao fogo do grizir, que ele findo o dia, possa voltar ao seio de sua família.

Tende piedade dos órfãos das viúvas. Daqueles que até esta hora não tiveram um pedaço de pão. Tende compaixão dos navegadores dos mares. Dos que lutam com os vendavais no meio do mar bravio. Tende piedade da mulher que abre os olhos do ser à vida. Que o PAI NOSSO vá até os dirigentes das nações para que evitem a guerra e cultivem a PAZ. Que a PAZ e a Harmonia do Bem fiquem entre nós e estejam com todos.

(Autor Desconhecido)

sábado, 1 de novembro de 2008

Seja Feliz


Durante um seminário para casais, perguntaram à esposa: "seu marido lhe faz feliz ?"; "ele lhe faz feliz de verdade ?" Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando segurança. Ele sabia que sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa lhe respondeu com um "Não", bem redondo... Não, não me faz feliz". Neste momento, o marido já procurava a porta de saída mais próxima.

Não me "faz" feliz... Eu sou feliz". "O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele e sim de mim." E continuou dizendo: "Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade." Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida; pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância, sobre a face da terra, eu estaria com sérios problemas. Tudo o que existe nesta vida muda constantemente... O ser humano, as riquezas, meu corpo, o clima, meu chefe, os prazeres, etc. E assim poderia citar uma lista interminável.

Às demais coisas eu chamo "experiências"; esqueço-me das experiências passageiras e vivo as que são eternas; amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar. Lembro-me de viver de modo eterno. Talvez seja por isso que quando alguém me faz perguntas como esta: "Você é feliz no seu casamento?" ou "Você é feliz?", gosto de responder com apenas uma frase, como se esta fosse a conclusão de todo o seminário, como se esta fosse a chave de toda a felicidade, de todo matrimônio e de toda vida humana; gosto de responder com aquela velha e famosa frase que ainda não conseguimos compreender: "A felicidade está centrada em mim".

Há pessoas que dizem: "Hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque alguém não soube me dar valor..."

SEJA FELIZ , mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém tenha lhe machucado, mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor.

Peça apenas ao Universo/Deus/Espírito Maior que lhe dê serenidade para aceitar as coisas que você não pode mudar, coragem para modificar aquelas que podem ser mudadas e sabedoria para conseguir reconhecer a diferença que existe entre elas.

Não reflita, apenas. Mude.

SEJA FELIZ. Sempre.

Amigo


"Abençoados os que possuem amigos,
os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra,
nem se vende.
Amigo a gente sente!"

(Machado de Assis)

sábado, 25 de outubro de 2008

Lição de nossos irmãos animais

HISTÓRIA VERDADEIRA - APÓS UM TORNADO


A história começa quando os voluntários encontraram este pobre cão a quem deram o nome de Ralphie


Ralphie, assustado e esfomeado, juntou-se aos seus salvadores


Pensávamos que nada sobreviveria após isto... mas estávamos enganados


Esta pequena "senhorita" também sobreviveu à desgraça


Aqui está ela já acomodada no carro - assustada, mas segura.



e eles... eles já não estão sozinhos


Ficam amigos instantaneamente, confortam-se um ao outro no carro


após adicionar aos dois cães, mais dois beagles encontrados, vem também este gato!


E agora então, um novo viajante para juntar à turma... (nota: o gato entra direto para o banco traseiro, como que necessitando aconchego...) e agora, como é que isto vai funcionar??? Cães e o gato juntos??? (e lembrem-se : eles são todos estranhos uns aos outros)





Uau! As coisas que nós aprendemos com estes nossos amigos!!!
Ah, se a humanidade pudesse aprender lições tão valiosas como esta.
Lições de amizade instantânea - de paz e solidariedade.
De harmonia pela via do respeito mútuo, sem olhar a cor, raça ou religião!
Estes bichinhos nos dizem: "o que interessa é que estamos vivos e não estamos sós"

Sim, é com certeza isso!

Por isso... vive, ama, ri.

domingo, 19 de outubro de 2008

Amigos


Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e úmido,bebericando chá gelado durante uma visita ao seu pai. Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho.

- Nunca esqueça de seus amigos, aconselhou. Serão mais importantes na medida em que você envelhecer.Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura vir a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com eles; faça coisa com eles; telefone para eles...

Que estranho conselho, pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza minha esposa e a família que iniciaremos serão tudo que necessito para dar sentido à minha vida!

Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve o contato com seus amigos e anualmente aumentava o número deles. Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. Conforme o tempo e a natureza realizam suas mudanças e mistérios sobre um homem, amigos são baluartes de sua vida.

Passados mais de 40 anos, eis o que ele aprendeu:

O Tempo passa.

A vida acontece.

A distância separa.

As crianças crescem.

Os empregos vão e vêm.

O amor fica mais frouxo.

As pessoas não fazem o que deveriam fazer.

O coração se rompe.

Os pais morrem.

Os colegas esquecem os favores.

As carreiras terminam.

Mas... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros há entre a gente. Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo pela gente, intervindo em nosso favor, e esperando de braços abertos, abençoando a nossa vida! Quando iniciamos esta aventura chamada vida, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristrezas que estavam adiante. Nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.

(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Porque as pessoas gritam? (Mahatma Gandhi)


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
“Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?”
– Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?” Questionou novamente o pensador.
– Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouvisse, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
“Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecida?
O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.
Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?
Elas não gritam.
Falam suavemente.
E por quê?
Porque seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena.
Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
“Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.”

(Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Obsessores – Uma Batalha de Luz e Trevas (Por Alex Alprim)


Existe uma intensa atividade permeando o universo físico e o espiritual. Forças e energias espirituais influenciam a vida dos encarnados, muitas vezes de forma negativa, provocando comportamentos e atitudes negativas, criando uma atmosfera densa de ódio e desespero. Esses espíritos ligados aos vivos e distantes da grande Luz Divina, vivem só para isso. Estamos falando dos obsessores.

Obsessão: substantivo feminino. 1 – Diacronismo: antigo. 2 – Suposta apresentação repetida do demônio ao espírito. 3 – Apego exagerado a um sentimento ou a uma idéia desarrazoada. 4 – Ação de molestar com pedidos insistentes; impertinência, perseguição, vexação.

Se pudéssemos enxergar o mundo espiritual como vemos o universo físico, perceberíamos um grande número de espíritos passando por nós a todo instante : em nossas casas, no trabalho e nas mais diversas atividades, tanto interagindo como atuando junto ao mundo dos encarnados.

Na Terra, existe um sem-número de forças espirituais, e nem todas com “boas intenções”. Na verdade – segundo a literatura espírita obtida até os dias atuais por meio de psicografias, mensagens e contatos mediúnicos – o plano de evolução espiritual em que se encontra nosso planeta o leva a ser um local de expiação, no qual se concentra um grande número de espíritos vibrando nas baixas freqüências.

Esses espíritos vivem imersos em correntes energéticas e emocionais de ódio, raiva, egoísmo, amor não-correspondido, entre outras emoções, e estão de tal forma presos ao plano físico que muitos acreditam ainda estar em seus corpos carnais. Assim, vivem próximos das pessoas com as quais um dia conviveram, afastando-se dos planos espirituais mais elevados e atrasando sua reencarnação.

Entre esses espíritos, ainda existem aqueles que têm a consciência de que estão mortos e que não habitam mais um corpo físico; mas como ainda estão presos às vibrações mais baixas do mundo espiritual, realizam ações que visam prejudicar os vivos e atrapalhar ao máximo a vida e a evolução espiritual de suas vítimas encarnadas. Esses espíritos são os que chamamos de obsessores.

A Obsessão Nasce

Eles nascem de diversas formas. Sua sensibilidade à Luz Divina foi embrutecida pelo tempo e por sua natureza moral. Eles ficam estagnados num círculo vicioso e numa obstinação tão intensa que não é raro se esquecerem quando e por que tudo começou.

Na maioria das vezes, estão tão cansados e vivem há tanto tempo nessa condição que não sabem mais como caminhar em direção ao esclarecimento e à Luz de Deus, necessitando assim de toda ajuda que lhes possa ser fornecida.

É fácil para nós imaginarmos o surgimento de tais obsessões pelo caminho do ódio. Afinal, sabemos do que os homens são capazes quando tomados pela raiva descontrolada; mas também surgem obsessões, até mais graves, em virtude do amor. O amor gera correntes que, unidas a outros sentimentos (egoísmo, apego, carência afetiva intensa, falta de auto-estima), podem produzir obsessões.

A revolta, a dor, a raiva, podem mudar a energia do amor; basta que exista um grande apego alimentado por um forte egoísmo, gerado num coração que viva uma grande carência, e teremos um espírito que sentirá uma grande dificuldade de se separar dos entes queridos.

Como o amor e o ódio estão separados por uma barreira quase imperceptível, em algumas oportunidades, imaginamos que um espírito está com ódio, quando, na verdade, ele pode estar escondendo a dor de um amor não correspondido; ou até mesmo pode ser uma entidade que ainda quer manter o apego que tinha em vida, agindo de forma a manter a outra pessoa presa ao círculo de sentimentos que demonstrava quando o espírito estava encarnado.

De todas as formas de obsessão, a gerada pelo amor é a pior de todas, pois aquele que ama sequer pode imaginar ou aceitar que, na verdade, está atrapalhando seus entes queridos. Ele acredita estar ajudando-os, supondo que não poderiam viver sem sua presença e auxílio.

A relação entre o obsessor e suas vítimas é variada e segue por caminhos tortuosos, mas que inevitavelmente levam à degradação física e moral do obsedado, o que, por fim, pode levar à “vitória” do espírito obsessor. Entre as formas conhecidas de obsessão, vamos a seguir analisar as maneiras de ataque.

O Ataque das Trevas

Partindo do que observamos até o momento, percebemos que as obsessões são as ações que influenciam os vivos, estimulando reações e semeando a discórdia e o ódio, nascido da força exercida pelos espíritos inferiores. Eles influenciam maleficamente, como os demônios das histórias bíblicas, e assim como ocorre nessas histórias, as formas do obsessor atuar também são sutis e intangíveis, e só após muito tempo é que se tornam evidentes. Mas podemos dividi-las da seguinte forma:

Obsessão Simples

O espírito obsesso por meio da sua vontade, motivado pelos mais diversos sentimentos, exerce uma persistência férrea, tenaz, influenciando em todas as áreas da vida de sua vítima, provocando a ira de pessoas próximas, atrapalhando seus relacionamentos, atuando por meio de sugestões de pensamento que vão contra a forma habitual da vítima agir.

Na maior parte das vezes, com o auxílio da auto-análise e do bom-senso, a vítima afasta esses pensamentos “ruins” e retoma o controle da sua vida. E quando esse tipo de ataque é detectado, cabe ao obsedado confiar no caminho espiritual e fazer sua vida um exemplo de luz e de dedicação pessoal, pois dessa forma afasta a chance de novos ataques. Procurando praticar o bem, ele estará pautando sua vida de acordo com os ditames dos grandes mestres e livrando-se da ação do obsessor.

Fascinação

Esse tipo de obsessão é das mais difíceis de quebrar, isso porque a vítima não acredita que está sob efeito de qualquer força negativa. Na verdade, algumas vezes, ela julga que é a única que não está obsedada, enquanto todos à sua volta estariam.

Nesse caso, o espírito obsessor vai se inserindo discretamente e ganhando espaço na vida do obsedado; como uma planta daninha, vai se enraizando, plantando desconfianças e medos, manias e desejos, até o ponto em que se instala definitivamente. A pessoa estará de tal forma envolvida que quase se forma uma simbiose psíquica que, caso se concretize, tornará ainda mais complexa a situação.

Nesse caso, o bom senso e a autocrítica se esvaem e a pessoa precisa de uma intensa ajuda espiritual, do mais alto nível, para superar o assédio dessa força maligna. Às vezes, a obsessão leva a delírios nos quais o obsedado acredita ser uma pessoa com uma “missão divina”, e pode até perder a razão, tornando-se um esquizofrênico, afastando-se do convívio social e, com o tempo, precisando de ajuda psiquiátrica.

Subjugação

É uma forma de obsessão na qual a vítima encarnada está sob domínio completo de uma força desencarnada. Quando esse tipo de obsessão ocorre, vemos a pessoa apática como se estivesse sonâmbula, tendo vontades que estão em desacordo com sua personalidade, e até afastando pessoas próximas que a critiquem ou que questionem suas “novas” atitudes.

O espírito obsessor não toma o lugar do espírito encarnado no corpo do obsedado. O que ocorre é uma supressão da vontade da vítima, por meio da supremacia da vontade do obsessor. Embora seja facilmente detectável, a sua cura exige uma mudança vibracional no obsedado, o que envolve uma grande disciplina moral e a aproximação aos ensinamentos e dogmas da Doutrina Espírita, de forma que leve o espírito obsessor a compreender sua falta e buscar o caminho da Luz Divina.

Auto-Obsessão

Mas ainda existem aqueles que, mesmo desencarnados, estão obsedados; e o pior, por eles mesmos. Tais espíritos acreditam serem pessoas sem valor e não se perdoam pelos “erros” que acreditam terem cometido em vida.

Eles acham que jamais poderão receber a Luz Divina e reingressar na via reencarnatória, pois estão presos a uma neurose espiritual tão intensa que os cega a tudo à sua volta. Em grande parte das vezes, infligem a si mesmos os mais diversos castigos e, mesmo quando recebem a ajuda de outros espíritos e das almas iluminadas, eles argumentam que seus crimes são imperdoáveis e anseiam por “castigos” que possam “purificá-los”. Vivem acreditando que são indignos de qualquer perdão.

Mas a Luz Cura

Não existe como tratar a obsessão sem o apoio e o interesse de todas as pessoas envolvidas no caso. É necessário o envolvimento espiritual e pessoal para que tanto o obsessor quanto o obsedado se vejam livres das amarras que os prendem, de forma a alcançarem a luz e a liberdade.

Como a obsessão é um processo com profundas raízes espirituais, é preciso tomar cuidado e não agir solitariamente para debelar o problema. É sempre necessária a presença de um grupo considerável de médiuns, e o tratamento deve ser feito de preferência em um centro espírita ou outro local especializado nas práticas de curas espirituais.

A reunião para tratar tais casos tem características específicas, pois todos os esforços devem ser coordenados e deve-se agir com um grande senso de solidariedade e compaixão. Antes de começar o trabalho, é necessário definir o foco que será seguido, e todos deverão exercitar sua força de vontade de forma a que formem um só feixe de energia e de Luz Divina. O obsedado deverá ser assistido com práticas espirituais diárias, que sejam instrutivas e que lhe dêem um forte alicerce. Além disso, deverá praticar atos sadios e desenvolver novamente a sua força de vontade, quebrando as amarras e correntes que foram forjadas no universo espiritual.

A prece, mesmo que seja uma oração pessoal e singela, é de grande valor na prática da cura da obsessão. Ela deve ser acompanhada por meditações e pelo aprofundamento da vítima nos assuntos espirituais, pois isso lhe dará os recursos necessários para ir além e renascer para uma vida plena e livre das vontades obsessoras.

Deve ser dada igualmente uma especial atenção ao ambiente e ao lar do obsedado, o qual deve ser limpo das manifestações dos espíritos baixos, pois eles se manifestam com mais facilidade em ambientes sujos, malcuidados e com grande quantidade de energia negativa estagnada. Para melhorar esses ambientes é preciso livrar-se de plantas velhas e doentes, de coisas quebradas, e deixar o ar ventilar em todos os cômodos, além de sempre fazer orações e preces em todos os locais da casa onde se sinta a presença de forças obsessoras.

A família é uma grande chave para a cura da obsessão. É ela que torna possível a recuperação do obsedado, que fortalece a vítima por meio da infinita energia do amor e lhe dá a chance de recuperar o controle sobre sua vida. Recomenda-se a todos seguirem a prática espiritual da prece e a leitura de material espiritual inspirador. Dessa forma, cria-se uma corrente fluídica positiva em torno de todos, gerando a elevação da freqüência vibracional dos espíritos em volta das pessoas que estão imersas na situação; assim, elas recebem cada vez mais força e energia desses espíritos iluminados, gerando um círculo virtuoso e próspero de amor e luz.

O processo obsessivo possui sempre raízes profundas, e a melhora do estado obsessivo varia em cada caso. Algumas vezes, não notamos sinais de melhora, pois cremos que tudo deve ser instantâneo, como se fosse um remédio engolido às pressas para uma dor de cabeça. Depois, quando se vê que a cura demandará semanas, e não dias, abandonam-se as práticas e surge a descrença quanto à eficácia da cura, buscando outros recursos para se ver livre do obsessor. Mas, não raro, tais caminhos apenas levam a mais dor e problemas.

A perseverança é a ferramenta principal para a libertação do obsedado, e ela é necessária para seguir o tratamento e atingir os objetivos e metas da plenitude, da paz e da liberdade. A Bondade Divina atende a todos mediante o empenho de cada pessoa, que e ela comunica ao universo, por meio de suas ações e dedicação, os caminhos e “atalhos” que lhe surgem à frente.

Além do que vimos anteriormente, existe uma ferramenta que é um dos recursos heróicos no combate à obsessão: é a chamada sessão de desobsessão. Essa sessão deve ser usada em casos extremos, quando tudo já foi tentado sem resultado e, pelos caminhos da humildade e da fé, mostra-se necessário ajudar alguém que sofre de tal mal.

Para tal é necessária a presença de um grupo de médiuns seguros, que exercitem a doutrina em todos os instantes de sua vida. Para o sucesso da sessão é preciso a tutela de um orientador que possua grande autoridade e uma intensa força de vontade, inabalável crença na Força Divina, a fim de se dirigir aos espíritos obsessores. Ele deve ser conhecedor do assunto, com prática e facilidade para expor a doutrina, e suas ações devem sempre ser o reflexo de suas palavras, não agindo com hipocrisia e tampouco se deixando levar pelo orgulho, pois ambas se tornam fissuras que prejudicam o trabalho espiritual da desobsessão.

Durante a sessão, ele deve agir procurando orientar, ensinar e esclarecer o obsessor quanto aos males que está praticando. Enquanto isso, todos os médiuns deverão se unir em um só coro espiritual de luz e oração.

Nessas reuniões – que devem ser feitas com um extremo cuidado e com preparo consciente por parte de todos – o obsedado não deverá estar presente, ficando em sua casa em meio a preces, leituras ou meditação, para auxiliar o trabalho. E a sessão deverá ser repetida ou retomada enquanto for necessário.

Concluída a conversão do obsessor, o ex-obsedado deve ser esclarecido quanto à necessidade de modificar os padrões de vida que o levaram àquela situação. Deve ser dito a ele tudo o que fez e que provocou tamanho caos. Não devemos poupar a pessoa, seja por sua sensibilidade ou por questões pessoais, pois assim estaríamos impedindo-a de crescer e evoluir espiritualmente.

Para evitar uma recaída, ele também deverá manter a disciplina desenvolvida durante a desobsessão, reforçando as suas defesas morais e espirituais, não deixando de tomar cuidado com suas ações e palavras, a fim de enriquecer sua vida espiritual e deixar as baixas vibrações para trás.

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/esp-ciencia/005/obsessores.html

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Há Espíritos? (O Livro dos Médiuns)



Há Espíritos?

Extraído de "O Livro dos Médiuns" de Allan Kardec 1861

1. A dúvida, no que concerne à existência dos Espíritos, tem como causa primária a ignorância acerca da verdadeira natureza deles. Geralmente, são figurados como seres à parte na criação e de cuja existência não está demonstrada a necessidade. Muitas pessoas, mais ou menos como as que só conhecem a História pelos romances, apenas os conhecem através dos contos fantásticos com que foram acalentadas em criança.

Sem indagarem se tais contos, despojados dos acessórios ridículos, encerram algum fundo de verdade, essas pessoas unicamente se impressionam com o lado absurdo que eles revelam. Sem se darem ao trabalho de tirar a casca amarga, para achar a amêndoa, rejeitam o todo,como fazem, relativamente à religião, os que, chocados por certos abusos, tudo englobam numa só condenação. Seja qual for a idéia que dos Espíritos se faça, a crença neles necessariamente se funda na existência de um princípio inteligente fora da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta deste princípio. Tomamos, conseguintemente, por ponto de partida, a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, existência, sobrevivência e individualidade que têm no Espiritualismo a sua demonstração teórica e dogmática e, no Espiritismo, a demonstração positiva. Abstraiamos, por um momento, das manifestações propriamente ditas e, raciocinando por indução, vejamos a que conseqüências chegaremos.

2. Desde que se admite a existência da alma e sua individualidade após a morte, forçoso é também se admita: 1º, que a sua natureza difere da do corpo, visto que, separada deste, deixa de ter as propriedades peculiares ao corpo; 2º, que goza da consciência de si mesma, pois que é passível de alegria, ou de sofrimento, sem o que seria um ser inerte, caso em que possuí-la de nada nos valeria. Admitido isso, tem-se
que admitir que essa alma vai para alguma parte. Que vem a ser feito dela e para onde vai?

Segundo a crença vulgar, vai para o céu, ou para o inferno. Mas, onde ficam o céu e o inferno? Dizia-se outrora que o céu era em cima e o inferno embaixo. Porém, o que são o alto e o baixo no Universo, uma vez que se conhecem a esfericidade da Terra, o movimento dos astros, movimento que faz com que o que em dado instante está no alto esteja, doze horas depois, embaixo, e o infinito do espaço, através do qual o olhar penetra, indo a distâncias consideráveis? Verdade é que por lugares inferiores também se designam as profundezas da Terra. Mas, que vêm a ser essas profundezas, desde que a Geologia as esquadrinhou? Que ficaram sendo, igualmente, as esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, desde que se verificou que a Terra não é o centro dos mundos, que mesmo o nosso Sol não é único, que milhões de sóis brilham no Espaço, constituindo cada um o centro de um turbilhão planetário? A que ficou reduzida a importância da Terra, mergulhada nessa imensidade? Por que injustificável privilégio este quase imperceptível grão de areia, que não avulta pelo seu volume, nem pela sua posição, nem pelo papel que lhe cabe desempenhar, seria o único planeta povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir semelhante nulidade do infinito e tudo nos diz que os diferentes mundos são habitados. Ora, se são povoados, também fornecem seus contingentes para o mundo das almas. Porém, ainda uma vez, que terá sido feito dessas almas, depois que a Astronomia e a Geologia destruíram as moradas que se lhes destinavam e, sobretudo, depois que a teoria, tão racional, da pluralidade dos mundos, as multiplicou ao infinito?

Não podendo a doutrina da localização das almas harmonizar-se com os dados da Ciência, outra doutrina mais lógica lhes assina por domínio, não um lugar determinado e circunscrito, mas o espaço universal: formam elas um mundo invisível, em o qual vivemos imersos, que nos cerca e acotovela incessantemente. Haverá nisso alguma impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De modo nenhum; tudo, ao contrário, nos afirma que não pode ser de outra maneira.

Mas, então, que vem a ser das penas e recompensas futuras, desde que se lhes suprimam os lugares especiais onde se efetivem? Notai que a incredulidade, com relação a tais penas e recompensas, provam geralmente de serem umas e outras apresentadas em condições inadmissíveis. Dizei, em vez disso, que as almas tiram de si mesmas a sua felicidade ou a sua desgraça; que a sorte lhes está subordinada ao estado moral; que a reunião das que se votam mútua simpatia e são boas representa para elas uma fonte de ventura; que, de acordo com o grau de purificação que tenham alcançado, penetram e entrevêem coisas que almas grosseiras não distinguem, e toda gente compreenderá sem dificuldade. Dizei mais que as almas não atingem o grau supremo, senão pelos esforços que façam por se melhorarem e depois de uma série de provas adequadas à sua purificação; que os anjos são almas que galgaram o último grau da escala, grau que todas podem atingir, tendo boa-vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo o Universo, que se sentem ditosos com o desempenho dessas missões gloriosas, e lhes tereis dado à felicidade um fim mais útil e mais atraente, do que fazendo-a consistir numa contemplação perpétua, que não passaria de perpétua inutilidade. Dizei, finalmente, que os demônios são simplesmente as almas dos maus, ainda não purificadas, mas que podem, como as outras, ascender ao mais alto cume da perfeição e isto parecerá mais conforme à justiça e à bondade de Deus, do que a doutrina que os dá como criados para o mal e ao mal destinados eternamente. Ainda uma vez: aí tendes o
que a mais severa razão, a mais rigorosa lógica, o bom-senso, em suma, podem admitir.

Ora, essas almas que povoam o Espaço são precisamente o a que se chama Espíritos. Assim, pois, os Espíritos não são senão as almas dos homens, despojadas do invólucro corpóreo. Mais hipotética lhes seria a existência, se fossem seres à parte. Se, porém, se admitir que há almas, necessário também será se admita que os Espíritos são simplesmente as almas e nada mais. Se se admite que as almas estão por toda parte, terse-á que admitir, do mesmo modo, que os Espíritos estão por toda parte. Possível, portanto, não fora negar a existência dos Espíritos, sem negar a das almas.

3. Isto não passa, é certo, de uma teoria mais racional do que a outra. Porém, já é muito que seja uma teoria que nem a razão, nem a ciência repelem. Acresce que, se os fatos a corroboram, tem ela por si a sanção do raciocínio e da experiência. Esses constituem a prova patente da existência e da sobrevivência da alma. Muitas pessoas há, entretanto, cuja crença não vai além desse ponto; que admitem a existência das almas e, conseguintemente, a dos Espíritos, mas que negam a possibilidade de nos comunicarmos com eles, pela razão, dizem, de que seres imateriais não podem atuar sobre a matéria.

Esta dúvida assenta na ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, dos quais em geral fazem idéia muito falsa, supondo-os erradamente seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é real.

Figuremos, primeiramente, o Espírito em união com o corpo. Ele é o ser principal, pois que é o ser que pensa e sobrevive. O corpo não passa de um acessório seu, de um invólucro, uma veste, que ele deixa, quando usada. Além desse invólucro material, tem o Espírito um segundo, semimaterial, que o liga ao primeiro. Por ocasião da morte, despoja-se deste, porém não do outro, a que damos o nome de perispírito. Esse invólucro semimaterial, que tem a forma humana, constitui para o Espírito um corpo fluídico, vaporoso, mas que, pelo fato de nos ser invisível no seu estado normal, não deixa de ter algumas das propriedades da matéria. O Espírito não é, pois, um ponto, uma abstração; é um ser limitado e circunscrito, ao qual só falta ser visível e palpável, para se assemelhar aos seres humanos. Por que, então, não haveria de atuar sobre a matéria? Por ser fluídico o seu corpo? Mas, onde encontra o homem os seus mais possantes motores, senão entre os mais rarificados fluidos, mesmo entre os que se consideram imponderáveis, como, por exemplo, a eletricidade? Não é exato que a luz, imponderável, exerce ação química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos a natureza íntima do perispírito. Suponhamo-lo, todavia, formado de matéria elétrica, ou
de outra tão sutil quanto esta: por que, quando dirigido por uma vontade, não teria propriedade idêntica à daquela matéria?

4. A existência da alma e a de Deus, conseqüência uma da outra, constituindo a base de todo o edifício, antes de travarmos qualquer discussão espírita, importa indaguemos se o nosso interlocutor admite essa base. Se a estas questões:

Credes em Deus?
Credes que tendes uma alma?
Credes na sobrevivência da alma após a morte?

responder negativamente, ou, mesmo, se disser simplesmente: Não sei; desejara que assim fosse, mas não tenho a certeza disso, o que, quase sempre, eqüivale a uma negação polida, disfarçada sob uma forma menos categórica, para não chocar bruscamente o a que ele chama preconceitos respeitáveis, tão inútil seria ir além, como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da
luz. Porque, em suma, as manifestações espíritas não são mais do que efeitos das propriedades da alma. Com semelhante interlocutor, se se não quiser perder tempo, terse-á que seguir muito diversa ordem de idéias.

Admitida que seja a base, não como simples probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, dela muito naturalmente decorrerá a existência dos Espíritos.

5. Resta agora a questão de saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, isto é, se pode com este trocar idéias. Por que não? Que é o homem, senão um Espírito aprisionado num corpo? Por que não há de o Espírito livre se comunicar com o Espírito cativo, como o homem livre com o encarcerado?

Desde que admitis a sobrevivência da alma, será racional que não admitais a sobrevivência dos afetos? Pois que as almas estão por toda parte, não será natural acreditarmos que a de um ente que nos amou durante a vida se acerque de nós, deseje comunicar-se conosco e se sirva para isso dos meios de que disponha? Enquanto vivo, não atuava ele sobre a matéria de seu corpo? Não era quem lhe dirigia os movimentos? Por que razão, depois de morto, entrando em acordo com outro Espírito ligado a um corpo, estaria impedido de se utilizar deste corpo vivo, para exprimir o seu pensamento, do mesmo modo que um mudo pode servir-se de uma pessoa que fale, para se fazer compreendido?

6. Abstraiamos, por instante, dos fatos que, ao nosso ver, tornam incontestável a realidade dessa comunicação; admitamo-la apenas como hipótese. Pedimos aos incrédulos que nos provem, não por simples negativas, visto que suas opiniões pessoais não podem constituir lei, mas expendendo razões peremptórias, que tal coisa não pode dar-se. Colocando-nos no terreno em que eles se colocam, uma vez que entendem de
apreciar os fatos espíritas com o auxílio das leis da matéria, que tirem desse arsenal qualquer demonstração matemática, física, química, mecânica, fisiológica e provem por a mais b, partindo sempre do principio da existência e da sobrevivência da alma:

1º que o ser pensante, que existe em nós durante a vida, não mais pensa depois da morte;
2º que, se continua a pensar, está inibido de pensar naqueles a quem amou;
3º que, se pensa nestes, não cogita de se comunicar com eles;
4º que, podendo estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;
5º que, podendo estar ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;
6º que não pode, por meio do seu envoltório fluídico, atuar sobre a matéria inerte;
7º que, sendo-lhe possível atuar sobre a matéria inerte, não pode atuar sobre um ser animado;
8º que, tendo a possibilidade de atuar sobre um ser animado, não lhe pode dirigir a mão para fazê-lo escrever;
9º que, podendo fazê-lo escrever, não lhe pode responder às perguntas, nem lhe transmitir seus pensamentos.

Quando os adversários do Espiritismo nos provarem que isto é impossível, aduzindo razões tão patentes quais as com que Galileu demonstrou que o Sol não é que gira em torno da Terra, então poderemos considerar-lhes fundadas as dúvidas.

Infelizmente, até hoje, toda a argumentação a que recorrem se resume nestas palavras: Não creio, logo isto é impossível. Dir-nos-ão, com certeza, que nos cabe a nós provar a realidade das manifestações. Ora, nós lhes damos, pelos fatos e pelo raciocínio, a prova de que elas são reais. Mas, se não admitem nem uma, nem outra coisa, se chegam mesmo a negar o que vêem, toca-lhes a eles provar que o nosso raciocínio é falso e que os fatos são impossíveis.

Allan Kardec